Dance me to the end of love, de Leonard Cohen, na versão da Klezmer Conservatory Band
domingo, 27 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Conhecimento que não se mede
Por Denise Wasserman
Sábado de sol, em pleno verão carioca, recebo um telefonema:
-Que tal vir aqui em casa, à tarde, para estudar Lévinas?
Estava na praia, sentada em baixo de uma barraca, olhando para o mar...
-Estudar filosofia em plena tarde de sábado?
-Traz empadinhas do Salete (restaurante).
Não é todo dia que se é convidada para um programa como este e, no mínimo, pensei, iria tirar uma onda de “intelectual chic”.
Saí da praia, passei no Salete (o das empadinhas), e após algumas horas peguei o meu livro “Quatro Leituras Talmúdicas”, que comprei empolgada, mais pela paixão deste meu amigo por este filósofo francês do que por vontade própria. Fiz algumas poucas tentativas de leitura, mas acabei deixando o livro descansando na bancada do computador.
Fui para a Sinagoga dos Judeus Baixinhos.
“Que Sinagoga é essa?”
Imaginem um sobrado charmoso em Botafogo. No meio do corredor, subindo para o segundo andar, se encontra uma portinha. Você tira os sapatos como se fosse entrar num tatame, mas na verdade você está entrando na Sinagoga dos Judeus Baixinhos.
Complicou de novo?
A sala em questão é uma espécie de sotão e a altura é de 1m e 80 (acho que até menos, pois tenho 1m e 64 e já estava quase batendo com a cabeça).
Mas como a ideia era sentar em uma das cadeiras, sofá ou mesmo no chão, a altura era um mero detalhe. Em volta, livros e mais livros, e um ambiente propício para altas reflexões.
Nosso anfitrião, empolgado com a presença dos amigos começou a leitura e a partir daí, fizemos uma longa viagem que durou cerca de duas horas.
Ah! Também tinha um gatinho que entrava e saía, pulava e sentava para ser acarinhado. Absorvida pela leitura, fui desperta por umas “mordidinhas” no dedão do pé. Era o gatinho que também queria atenção.
Ler Emmanuel Lévinas requer concentração, algo difícil para mim, mas ler com detalhes e reflexões de outras pessoas é diferente, principalmente porque o grupo presente era bastante eclético. Um psicanalista, um ator, uma bióloga, um arquiteto, uma cantora, um....(acho que um me escapou) e eu, jornalista.
No capítulo escolhido do livro, a “Tentação da tentação”, que segundo o autor, talvez descreva a condição do homem ocidental, ávido para experimentar de tudo, “apressado por viver, impaciente por sentir”...A tentação da tentação é a filosofia que se opõe à sabedoria que sabe tudo sem experimentá-lo.
Interessante isso, não?
Dentro ou fora do contexto de nossa leitura percebi que somos sempre tentados aos novos desafios, que ao experimentá-los podemos decidir se queremos ou não nos envolver em situações que nem sempre nos são apresentadas como nossas escolhas e sim, a dos outros.
Se você compartilha do desejo do outro, e este desejo passa a ser seu também, creio que encontramos um ponto em comum ao qual podemos chamar de afinidade.
Posso não ser uma grande conhecedora de filosofia, nem tão pouco uma intelectual, mas gosto de adquirir conhecimentos, vivências e depois de um certo tempo transformá-las em experiências (nem todas confessáveis).
No retorno para minha casa pensei o quanto agradável tinha sido aquele final de tarde e como sete pessoas que pouco se conheciam poderiam trocar confidências através de um texto filosófico.
Foi apenas um primeiro encontro, mas outros certamente estarão por vir...na Sinagoga dos Judeus Baixinhos
Sábado de sol, em pleno verão carioca, recebo um telefonema:
-Que tal vir aqui em casa, à tarde, para estudar Lévinas?
Estava na praia, sentada em baixo de uma barraca, olhando para o mar...
-Estudar filosofia em plena tarde de sábado?
-Traz empadinhas do Salete (restaurante).
Não é todo dia que se é convidada para um programa como este e, no mínimo, pensei, iria tirar uma onda de “intelectual chic”.
Saí da praia, passei no Salete (o das empadinhas), e após algumas horas peguei o meu livro “Quatro Leituras Talmúdicas”, que comprei empolgada, mais pela paixão deste meu amigo por este filósofo francês do que por vontade própria. Fiz algumas poucas tentativas de leitura, mas acabei deixando o livro descansando na bancada do computador.
Fui para a Sinagoga dos Judeus Baixinhos.
“Que Sinagoga é essa?”
Imaginem um sobrado charmoso em Botafogo. No meio do corredor, subindo para o segundo andar, se encontra uma portinha. Você tira os sapatos como se fosse entrar num tatame, mas na verdade você está entrando na Sinagoga dos Judeus Baixinhos.
Complicou de novo?
A sala em questão é uma espécie de sotão e a altura é de 1m e 80 (acho que até menos, pois tenho 1m e 64 e já estava quase batendo com a cabeça).
Mas como a ideia era sentar em uma das cadeiras, sofá ou mesmo no chão, a altura era um mero detalhe. Em volta, livros e mais livros, e um ambiente propício para altas reflexões.
Nosso anfitrião, empolgado com a presença dos amigos começou a leitura e a partir daí, fizemos uma longa viagem que durou cerca de duas horas.
Ah! Também tinha um gatinho que entrava e saía, pulava e sentava para ser acarinhado. Absorvida pela leitura, fui desperta por umas “mordidinhas” no dedão do pé. Era o gatinho que também queria atenção.
Ler Emmanuel Lévinas requer concentração, algo difícil para mim, mas ler com detalhes e reflexões de outras pessoas é diferente, principalmente porque o grupo presente era bastante eclético. Um psicanalista, um ator, uma bióloga, um arquiteto, uma cantora, um....(acho que um me escapou) e eu, jornalista.
No capítulo escolhido do livro, a “Tentação da tentação”, que segundo o autor, talvez descreva a condição do homem ocidental, ávido para experimentar de tudo, “apressado por viver, impaciente por sentir”...A tentação da tentação é a filosofia que se opõe à sabedoria que sabe tudo sem experimentá-lo.
Interessante isso, não?
Dentro ou fora do contexto de nossa leitura percebi que somos sempre tentados aos novos desafios, que ao experimentá-los podemos decidir se queremos ou não nos envolver em situações que nem sempre nos são apresentadas como nossas escolhas e sim, a dos outros.
Se você compartilha do desejo do outro, e este desejo passa a ser seu também, creio que encontramos um ponto em comum ao qual podemos chamar de afinidade.
Posso não ser uma grande conhecedora de filosofia, nem tão pouco uma intelectual, mas gosto de adquirir conhecimentos, vivências e depois de um certo tempo transformá-las em experiências (nem todas confessáveis).
No retorno para minha casa pensei o quanto agradável tinha sido aquele final de tarde e como sete pessoas que pouco se conheciam poderiam trocar confidências através de um texto filosófico.
Foi apenas um primeiro encontro, mas outros certamente estarão por vir...na Sinagoga dos Judeus Baixinhos
domingo, 30 de janeiro de 2011
domingo, 23 de janeiro de 2011
Água, corrupção e omissão
O que aconteceu estes dias na região serrana do Rio de Janeiro tem dois nomes principais: omissão e corrupção.
Omissão, no Rio e no Brasil todo. Omissão em regularizar-se o uso do solo; em entender que o povo tem de morar; que o povo também quer ter moradia segura, com serviços e bens básicos; que o povo tem que ter transporte urbano suficiente e decente, de preferência público, mantido e controlado pelo estado, pois se ele mora num local seguro, porém distante do local de trabalho, deve ter facilidade de deslocamento. Omissão em retirar pessoas de morros e periferias inundáveis, e conduzí-las para lugares seguros e decentes. Estamos todos muito tristes e cansados de ver esta situação ano, após outro.
Corrupção, porque as leis, e as leis ambientais particularmente, são absolutamente ignoradas por toda parte. Não é um privilégio do estado do Rio. Mas, lei, não se pode desconhecer! Assim, porque não deixamos, nas margens de rios e lagoas, as distância livres que a lei, minimamente, estabelece? Por que não conservamos matas? Por que permitimos que morros sejam decepados por toda parte, pra serem depois sustentados por inseguros muros de arrimo? Por que impermeabilizamos e compactamos o solo sem fim, em estradas, estacionamentos, quintais e ruas, selando-o à passagem da água? Por que não destinamos o óleo corretamente para que este não seja lançado na natureza, plastificando os poros do chão? Corrupção das empresas que devem coletar o lixo. O lixo mal coletado, ou não coletado, termina na água. Os rios ficam assoreados, entupidos, e a água, é fácil de dizer, sobe.
Governos, em todas as suas esferas, mas especialmente os locais, as prefeituras, são inegavelmente omissos e corruptos. Não educam o cidadão para não lançar dejetos nas ruas para que não entupam bueiros, para não desmatar, para não lançar óleo no ambiente, para separar seu lixo e dar-lhe destinação correta. Não apóiam ou mantém programas de separação de lixo reciclável - garrafas e sacos plásticos represam os rios, que sobem com as chuvas. Agentes públicos vendem, por tostões, 'habite-se' de caras propriedades construídas em locais impróprios. Triste realidade. As pessoas pagam com suas vidas.
As chuvas podem ter sido implacáveis mais esta vez. Pode ser este um fenômeno cíclico, ou consequência das funestas mudanças climáticas globais, que não sabemos se já começaram a se manifestar. De qualquer forma, elas mostram o quanto estamos despreparados. Com muito menos água, nossos governantes já estarão expostos em suas fracas, omissas e corruptas administrações. Em sua falta de visão de curto e médio prazo. Uma cegueira, no mínimo criminosa!
Omissão, no Rio e no Brasil todo. Omissão em regularizar-se o uso do solo; em entender que o povo tem de morar; que o povo também quer ter moradia segura, com serviços e bens básicos; que o povo tem que ter transporte urbano suficiente e decente, de preferência público, mantido e controlado pelo estado, pois se ele mora num local seguro, porém distante do local de trabalho, deve ter facilidade de deslocamento. Omissão em retirar pessoas de morros e periferias inundáveis, e conduzí-las para lugares seguros e decentes. Estamos todos muito tristes e cansados de ver esta situação ano, após outro.
Corrupção, porque as leis, e as leis ambientais particularmente, são absolutamente ignoradas por toda parte. Não é um privilégio do estado do Rio. Mas, lei, não se pode desconhecer! Assim, porque não deixamos, nas margens de rios e lagoas, as distância livres que a lei, minimamente, estabelece? Por que não conservamos matas? Por que permitimos que morros sejam decepados por toda parte, pra serem depois sustentados por inseguros muros de arrimo? Por que impermeabilizamos e compactamos o solo sem fim, em estradas, estacionamentos, quintais e ruas, selando-o à passagem da água? Por que não destinamos o óleo corretamente para que este não seja lançado na natureza, plastificando os poros do chão? Corrupção das empresas que devem coletar o lixo. O lixo mal coletado, ou não coletado, termina na água. Os rios ficam assoreados, entupidos, e a água, é fácil de dizer, sobe.
Governos, em todas as suas esferas, mas especialmente os locais, as prefeituras, são inegavelmente omissos e corruptos. Não educam o cidadão para não lançar dejetos nas ruas para que não entupam bueiros, para não desmatar, para não lançar óleo no ambiente, para separar seu lixo e dar-lhe destinação correta. Não apóiam ou mantém programas de separação de lixo reciclável - garrafas e sacos plásticos represam os rios, que sobem com as chuvas. Agentes públicos vendem, por tostões, 'habite-se' de caras propriedades construídas em locais impróprios. Triste realidade. As pessoas pagam com suas vidas.
As chuvas podem ter sido implacáveis mais esta vez. Pode ser este um fenômeno cíclico, ou consequência das funestas mudanças climáticas globais, que não sabemos se já começaram a se manifestar. De qualquer forma, elas mostram o quanto estamos despreparados. Com muito menos água, nossos governantes já estarão expostos em suas fracas, omissas e corruptas administrações. Em sua falta de visão de curto e médio prazo. Uma cegueira, no mínimo criminosa!
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