Trabalho num local com baias. Baias para humanos. Todos podem ver o topo das cabeças do vizinhos. Poder-se-ía imaginar que num lugar assim, onde cada um trabalha em sua baia, com seu computador individual, todos falar-se-íam e trocariam. Mas, estranha é a psicologia humana. Os anos se passam , e cada vez ficamos mais estranhos uns com os outros. Cada vez é menor o número de pessoas com quem falamos. O todo, a intercomunicação espacial não propicia uma boa comunicação geral. Relacionamo-nos com vizinhos próximos, e comedidamente. Grande é o constrangimento de adentrar-se uma baia totalmente estranha. Uma sensação de penetrar território inimigo. E fica-se, cada um no seu canto, solitários e grupilhos. Sem querer querendo, é uma boa maneira de administrar esta gente, tão desagregada.
Dizem que o criador dos espaços com baias, na década de 50, arrependeu-se de sua criação. Mas ela ganhou pernas próprias. Com esta semi-divisão espacial, aproveita-se melhor um espaço exíguo. Ele é dividido. É a privacidade sem privacidade, o comum individual. Ouve-se muito. Pouco comenta-se. Pensa-se demais.
Estranho o humano ser.