Minha mãe morreu dia 19, último. Pequena. Seu pequeno caixão negro. Simples, como ela. Nasceu em 1933. Depois de 13 anos de Alzheimer, um agressivo câncer a levou. Quem sabe dizer o que sentem os que sofrem de Alzheimer? Sabem? Choram? Sentem algo? Seus olhos cerrados, nos últimos anos, e sua postura encurvada e retorcida, não dava a entender que nos ouvisse ainda. Mas, a moça que dela cuidou, Neide, sentia sua vida viva, e por passar cada minuto dos últimos anos com ela - cuidando dela com muito carinho - sentiu muito sua partida. Sentimos também, mas de outro modo. Sua morte, lembrou-nos de quando era plenamente viva. Suas risadas, suas tardes em casa, tomando café, suas fase motorizada, num possante fusca laranja 'tala larga'. Ela vindo me buscar no ballet. Seu rosto escondido por trás do volante, subindo a rua, apenas despontando. Lembro dela trazendo um saquinho de papel branco com pão e sal, na inauguração de nosso escritório. Lembro de sua vinda para me consolar num momento difícil. Lembro muito. Tudo encerrado no pequeno caixão negro no meio da sala. Tão só como a vida lhe deixou, ao reservar-lhe este mal tão mau, o mal de Alzheimer.
sábado, 20 de junho de 2009
Paulina
Minha mãe morreu dia 19, último. Pequena. Seu pequeno caixão negro. Simples, como ela. Nasceu em 1933. Depois de 13 anos de Alzheimer, um agressivo câncer a levou. Quem sabe dizer o que sentem os que sofrem de Alzheimer? Sabem? Choram? Sentem algo? Seus olhos cerrados, nos últimos anos, e sua postura encurvada e retorcida, não dava a entender que nos ouvisse ainda. Mas, a moça que dela cuidou, Neide, sentia sua vida viva, e por passar cada minuto dos últimos anos com ela - cuidando dela com muito carinho - sentiu muito sua partida. Sentimos também, mas de outro modo. Sua morte, lembrou-nos de quando era plenamente viva. Suas risadas, suas tardes em casa, tomando café, suas fase motorizada, num possante fusca laranja 'tala larga'. Ela vindo me buscar no ballet. Seu rosto escondido por trás do volante, subindo a rua, apenas despontando. Lembro dela trazendo um saquinho de papel branco com pão e sal, na inauguração de nosso escritório. Lembro de sua vinda para me consolar num momento difícil. Lembro muito. Tudo encerrado no pequeno caixão negro no meio da sala. Tão só como a vida lhe deixou, ao reservar-lhe este mal tão mau, o mal de Alzheimer.
quinta-feira, 23 de abril de 2009

Quantas imagens lindas de água há na Internet.
Água deve ser pública. Jamais privatizada. Tem que ser cuidada por todos, e , principalmente, por prefeituras e governos, estaduais ou federais. Deve-se zelar por ela sempre.
Poluidores devem ser punidos. Não há mais desculpas para sujar-se a água com dejectos da indústria e de outras atividades humanas. O custo das multas, para quem não se importa com o mundo, deve ser maior que o custo de tornar uma indústria limpa. Isto é, uma que devolve à natureza uma água com a mesma qualidade daquela que recebeu.
Saneamento básico não é sinal de avanço. É indiscutível. Básico. Uma prefeitura há que ser muito corrupta para não ter toda sua população servida por redes de água e esgoto. No Rio de Janeiro, em 2009, há inúmeras comunidades sem este serviço.
Ao consumirmos, consumimos água. Para produzir-se alimentos, roupas, automóveis, aparelhos eletrônicos, papel e tudo o mais que usamos, precisamos de um oceano de água por dia.
Ao nos desfazermos de nosso lixo, que aumenta a cada dia, usamos mais água, e a poluímos com os rios de chorume de nosso lixo não separado.
É uma ilusão pensarmos isoladamente, como país, que não sofreremos a falta de água. O problema logo afetará a todos. Quando faltar para uns, estes avançarão sobre os que a tem.
E como podemos nos conformar em beber água em garrafa, com marca? Como se pode, sob as barbas dos cidadãos que, distraídos de sua vigilância cívica, assistem suas novelas, privatizar-se a água? Como muitas pessoas pelo mundo, sou pelo boicote à água 'particular'. Devemos exigir que todos os locais tenham bebedores e fontes, como antigamente; restaurantes e bares devem, por cortesia ou por lei, servir água filtrada em jarras.
A arquitetura das casa e edifícios deve ser adaptada para coletar água das chuvas. Isto também deve ser exigido por lei. Os prédios públicos devem sair à frente, dando exemplo.
Mas que prefeitura se habilita?
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Querido Gregório,
Fiquei muito feliz em participar de sua oficina.
Ela é delicadamente humanizadora.
Empresta-nos uma nuvem...para que sobre ela caminhemos por uns dias! Por sorte, muitos.
Faz-nos ver o que, cotidianamente, não vemos. Pessoas. E coisas que não se compra. Um arejamento.
Momentaneamente, embala e regala o olhar e a escuta. E até o tato, pelos abraços e toques tão amigos que gera.
Libera eus encerrados. Desmascara não eus.
E, de presente, sai-se dela crendo no poder das boas histórias, bem escritas e bem contadas. Um felicíssimo resgate do passado de sempre. Estas histórias alegram, ensinam e encantam. E só!
De quebra, ainda, no ambiente feliz de sua oficina, sai-se com novos amigos. Por sorte, saí com os meus. Uma dádiva. (posso ter a honra de incluí-lo?)
Obrigada pelo carinho e sabedoria, tão bem empregados.
Beijos.
Maysa
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Quem herdará o planeta 2
Baratas parecem ser as herdeiras naturais do nosso planeta. Eu mesma já as acusei de elaborarem um plano sinistro - o consumo! - para acelerar nossa derrocada. Parecia uma teoria bem razoável!
Mas hoje, sem metáforas, acrescento algo de novo a esta palpitante especulação. Algo com bilhões de anos e que, seguramente, herdará o planeta.
São as arqueas. Assim são chamadas. São seres unicelulares e estão entre bactérias e seres eucariontes primitivos. Não tem o charme asqueroso das baratas. Não impactam a imaginação do leitor . Suas invejáveis cinturinhas, porém, medem-se em angstrons. Roa-se! Mas foram elas, muito provavelmente, os primeiros seres viventes da Terra. Delas, crê-se, surgiram todos os outros seres vivos.
E não é para menos. Suportam de tudo. E seguem vivendo. Suportam temperaturas extremas, salinidade máxima e , pasmem, radioatividade intensíssima. Neste último caso, submetidas a esta condição, seu DNA fica picotado, como era de se esperar, mas restitui-se...e as arqueas ressurgem, frescas.
É portanto fácil concluir que, depois de silenciar toda loucura e genialidade humana, as arqueas, estarão ainda aí. E por muito tempo. Esperam e desfrutam. Esperam já há dois ou três bilhões de anos. Que serão mais cinco, até que o Sol esfrie?
Neste interim, que poderá acontecer? Novas cadeias evolutivas? Nos moldes da que conhecemos ou noutro? E se novos tipos humanos surgirem no topo de uma nova cadeia evolutiva? Depois que fizerem suas aparição estranhos fungos, esquisitas estrelas do mar, peixes e tubarões inusitados, esdrúxulas abelhas, macacos minúsculos, neandertais poetas e uma nova gente, diferente da gente.
De que tipo serão estes seres do futuro, estes no topo da cadeia alimentar e evolutiva? Humanos, como nós? Super? Sub? Mega? Terão paixões? Dor de dente? Sentirão ciúmes? Envelhecerão? Implantarão próteses de silicone? Aplicarão na bolsa? Terão sutiens, celulares, carros e poços de petróleo? Pouco, ou nada, podemos dizer.
As arqueas, contudo, estarão aí para saber. Serão testemunhas da vida que, livre de nós, por certo, ressurgirá
Mas hoje, sem metáforas, acrescento algo de novo a esta palpitante especulação. Algo com bilhões de anos e que, seguramente, herdará o planeta.
São as arqueas. Assim são chamadas. São seres unicelulares e estão entre bactérias e seres eucariontes primitivos. Não tem o charme asqueroso das baratas. Não impactam a imaginação do leitor . Suas invejáveis cinturinhas, porém, medem-se em angstrons. Roa-se! Mas foram elas, muito provavelmente, os primeiros seres viventes da Terra. Delas, crê-se, surgiram todos os outros seres vivos.
E não é para menos. Suportam de tudo. E seguem vivendo. Suportam temperaturas extremas, salinidade máxima e , pasmem, radioatividade intensíssima. Neste último caso, submetidas a esta condição, seu DNA fica picotado, como era de se esperar, mas restitui-se...e as arqueas ressurgem, frescas.
É portanto fácil concluir que, depois de silenciar toda loucura e genialidade humana, as arqueas, estarão ainda aí. E por muito tempo. Esperam e desfrutam. Esperam já há dois ou três bilhões de anos. Que serão mais cinco, até que o Sol esfrie?
Neste interim, que poderá acontecer? Novas cadeias evolutivas? Nos moldes da que conhecemos ou noutro? E se novos tipos humanos surgirem no topo de uma nova cadeia evolutiva? Depois que fizerem suas aparição estranhos fungos, esquisitas estrelas do mar, peixes e tubarões inusitados, esdrúxulas abelhas, macacos minúsculos, neandertais poetas e uma nova gente, diferente da gente.
De que tipo serão estes seres do futuro, estes no topo da cadeia alimentar e evolutiva? Humanos, como nós? Super? Sub? Mega? Terão paixões? Dor de dente? Sentirão ciúmes? Envelhecerão? Implantarão próteses de silicone? Aplicarão na bolsa? Terão sutiens, celulares, carros e poços de petróleo? Pouco, ou nada, podemos dizer.
As arqueas, contudo, estarão aí para saber. Serão testemunhas da vida que, livre de nós, por certo, ressurgirá
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
A bárbara Bárbara Xumaia!


Bárbara Xumaia foi professora de arte no Jardim Escola São Paulo, onde fui aluna dos quatro aos oito anos. O Jardim Escola foi um lugar lindo e feliz. Uma casa antiga, na Avenida Paulista, com um jardinzinho separado por um portão de madeira, árvores e pessoas inesquecíveis.Bárbara foi uma delas. Alta, esbelta e loura, um tipo diferente. Suas aulas, com muito cheiro de tinta - que ainda sinto - com pincéis de vários tamanhos, principalmente alguns muito grandes, com potes de massa colorida para pintura a dedo e com cordinhas onde os trabalhos das crianças eram pendurados são difíceis de se esquecer. Tudo tão lindo, num galpão aberto, ao lado da horta.
E, qual não foi minha surpresa, quarenta e poucos anos depois, ao descobrir que esta mulher, guardada em um canto da memória, é uma artista finérrima!
Descubro pela Internet, que seu nome é Bárbara Xumaia. Deduzo logo que este estranho sobrenome deva ser um nome alemão abrasileirado, o que logo confirmo: chama-se Bábara Schulmayr Guzzi .
Estou pasma com as imagens que encontro na Internet de seus trabalhos. É arte naïf de grande sensibilidade. E de uma brasilidade tão doce e alegre.
Veja que lindo texto do crítico de arte Oscar D'Ambrosio sobre o trabalho artístico de Bárbara:
http://www.artcanal.com.br/oscardambrosio/barbaraxumaia.htm
http://www.artcanal.com.br/oscardambrosio/barbaraxumaia.htm
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Será que podemos não usar sacos plásticos?
E a qualquer hora...
...Piazzolla e Yo Yo Ma tocando Libertango juntos, http://br.youtube.com/watch?v=RUAPf_ccobc&feature=related... e só.
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