quinta-feira, 28 de novembro de 2013




“Maria da Graça” 
 Recepção, Separação e 
Correto Encaminhamento de “E-lixo”

Potencial Indicação Geográfica

Mestrado Pofissional em Propriedade Intelectual e Inovação
Trabalho para a Disciplina Introdução à Indicaçao Geográfica
Professora: Lúcia Regina Fernandes
Autoria: Maysa Blay Roizman
e-mail para contato: maysablay@gmail.com


1.  Identificação de uma Potencial Indicação Geográfica (IG) brasileira


Em Maria da Graça, bairro da Zona Norte do município do Rio de Janeiro, ocorre o processamento especialíssimo de materiais eletrônicos descartados.  Ali opera um polo de recepção, separação e correto encaminhamento de resíduos eletrônicos (Fig.1). Maria da Graça é referência para a separação integral dos componentes do “e-lixo” e sinaliza como sendo uma potencial Indicação Geográfica para estes serviços.
          


Figura 1. Mesa de separação de "e-lixo" no galpão da COOPAMA em Maria da Graça (OGLOBO, 2013)

2.  Maria da Graça – uma Indicação de Procedência (IP) potencial

Duas modalidades de Indicação Geográficas são apresentadas na Lei 9279 de 1996, Lei da Propriedade Industrial (LPI): a IP e a Denominação de Origem (DO). A IP é a que se adequa ao caso do polo de separação e correto encaminhamento de resíduos eletrônicos de Maria da Graça. Trata-se, além disto, de uma potencial IP para serviços. A região compreendida pelo quadrilátero em torno da estação de Metrô de Maria da Graça está associada ao tratamento adequado do “e-lixo”. Esta reputação foi adquirida pela localidade para os serviços ali prestados, uma sinalização positiva para o reconhecimento como Indicação de Procedência.

3. Área Geográfica
A área de aproximadamente seis km2 , que corresponde à IP potencial de "Maria da Graça" está compreendida no espaço geográfico de formato quase quadrangular entre a estação de Metrô Maria Graça, e os limites externos da Favela do Jacarezinho e das comunidades próximas, conhecidas como Félix Ferreira e Picapau Amarelo (Fig.2).



Figura 2. Mapa abrangendo Área Geográfica da potencial IP de "Maria da Graça" e apontando o galpão da COOPAMA (Google Maps – Estação de Metrô de Maria da Graça, COOPAMA)
4. Nome Geográfico

O nome geográfico da IP potencial é “Maria da Graça”, identificado como polo de recepção, separação e correto encaminhamento de e-lixo
5. Reputação

“Maria da Graça” possui a reputação de ser um polo qualificado e especializado para recepcionar e tratar de resíduos eletrônicos descartados pela região metropolitana da cidade do Rio de Janeiro[1]. Destaca-se, na construção gradual de sua imagem e fama, a Cooperativa de Amigos do Meio Ambiente (COOPAMA), grupo central na liderança no desmonte do lixo eletrônico. Esta cooperativa de catadores de materiais recicláveis foi, a partir de 2003, “incubada” dentro da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP) da Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (COPPE), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela não abandonou seus trabalhos com resíduos convencionais, mas agregou, às suas funções, técnicas especializadas para um refinado desmonte de aparelhos eletrônicos. Qualificou-se para a separação de placas eletrônicas – que contém ouro, cobre e prata - de plásticos, vidros, e outros componentes. Os materiais são recuperados para sua posterior destinação (O GLOBO, 2013). A COOPAMA, que atuou também na formação e ampliação de uma rede local de catadores e separadores do “e-lixo”, possui assim um importante papel na transformação da região de Maria da Graça em polo especializado de tratamento de resíduos eletrônicos. 
Alguns fatores reforçam as perspectivas de avanço do polo de recepção e separação de lixo eletrônico de “Maria da Graça”: primeiramente, sua área geográfica, antes industrial, foi gradativamente perdendo postos de trabalho com o processo de desindustrialização.  Sem emprego, as comunidades locais, como a comunidade do Jacaré, organizaram-se e passaram a atuar no recolhimento e separação do lixo reciclável gerado na própria comunidade e em regiões próximas. Destes arranjos, nasceram grupos que se organizaram em cooperativas, como a COOPAMA. Um segundo fator decisivo para o estabelecimento e renome do polo é a iniciativa da ITCP da UFRJ, que ao recepcionar e qualificar a cooperativa, abriu-lhe uma nova perspectiva de trabalho no segmento de reciclagem. E esta especialização no trato com o “e-lixo” e a capacidade de recepção de grandes volumes de material atende à crescente demanda social, empresarial e institucional pelo correto encaminhamento de lixo eletrônico descartado.
É importante frisar que a qualificação da COOPAMA, central no polo de “Maria da Graça” como processadora especializada de materiais eletrônicos descartados, e sua capacidade de processar grandes quantidades de materiais fez com que os membros da cooperativa, e os grupos parceiros pertencentes à rede que em se formou em torno dela, tivessem seus ganhos econômicos aumentados.  De uma média de R$ 0,30 obtida por quilo de materiais convencionais, os ganhos subiram para até R$ 12,00, valor de mercado de uma placa eletrônica recuperada sem danos. Decorrentes das melhorias econômicas, ocorreram significativos avanços em parâmetros sociais da região em torno do polo - organizacionais, de saúde e de capacitação.

6. Considerações finais em favor da IP para “Maria da Graça”

O reconhecimento de “Maria da Graça” como IP para recepção, separação e correto encaminhamento de “e-lixo” conferirá à região de abrangência o registro de qualidade dos serviços prestados que a sociedade, cada vez mais consciente de questões sociais e ambientais, demanda. Além disto, a IP pode ser uma importante ferramenta de orgulho coletivo e dinamismo na região (Kakuta, 2006), pois abrangerá os envolvidos em todos os pontos da cadeia, desde o recolhimento, até a negociação para venda, promovendo a boa imagem da região e apresentando um bom exemplo para a sociedade, com a melhoria de parâmetros sociais.

7. Referências
Ambiente - Fábrica Verde. Governo do Rio de Janeiro.  http://www.rj.gov.br/web/sea/exibeconteudo?article-id=766871 Acesso em 21 de jul. de 2013
Brasil, lixo eletrônico pode gerar empregos verdes e desenvolvimento sustentável. The World Bank. quatro de fevereiro de 2013. http://www.worldbank.org/pt/news/feature/2013/02/04/e-waste-management-tablets-phones-computers-Brazil-environment-sustainable-development. Acesso em 20 de jul. de 2013. 
CDI transformando vidas através da tecnologia. no link http://www.cdi.org.br/ Acesso em 21 de Jul. de 2013.
Kakuta, Susana Maria. Indicações geográficas: guia de respostas. Porto Alegre. SEBRAE/RS, 2006.  
O GLOBO Online. E–lixo ganhará exército de catadores no Rio. Ludmilla de Lima. 22/5/2-12. http://oglobo.globo.com/rio20/e-lixo-ganhara-exercito-de-catadores-no-rio-4976627  Acesso em 20 de julho de 2013.




[1] A atuação de “Maria da Graça” na recepção e trato com o “e-lixo” não é exclusiva. De expressão nesta área, e atuando em vários estados brasileiros, existem a ONG CDI (CDI, 2013) e a Fábrica Vede (Fábrica Verde, 2013). Ambas recepcionam material eletrônico descartado, capacitam jovens no reparo de manutenção do material, repassam o material recuperado para usuários, e promovem a inclusão digital.  “Maria da Graça” tem uma atuação distinta em recuperação de materiais descartados e separação completa de micro e macro componentes dos equipamentos.  Também se distingue destas instituições pela sua capacidade de recepcionar grandes quantidades (em torno de 12 toneladas) de materiais por mês. 

Marcas Coletivas

  O que são?




Pablo Regalado regalado@inpi.gov.br
Patrícia Barbosa patmaria@inpi.gov.br
Maysa Blay maysa@inpi.gov.br





A marca coletiva identifica produtos ou serviços provenientes de membros de uma determinada entidade (Associações, Cooperativas ou Organizações de grupos de produtores).
Estas marcas indicam que um produto ou serviços provém de determinada origem e/ou que o serviço é prestado por uma pessoa membro desta coletividade.

No Brasil, observa-se um movimento evidente para que sejam estabelecidas políticas de valorização da produção/serviço local, visando ao incremento da competitividade empresarial. As MCs, bem como a IGs, podem contribuir significativamente para a valorização de determinado produto/serviço de uma região.

O registro será requerido por pessoa jurídica designada pelo grupo interessado, a qual poderá exercer atividade distinta dos membros do grupo; esta será o titular a marca.

A criação da MC permite que pequenos produtores trabalhem em parceria, cresçam e disputem mercados com empresas de maior porte. A redação, e o depósito no INPI, do Regulamento de Utilização do uso da marca (que deve acompanhá-la) é uma importante ferramenta de organização coletiva. E, a ação conjunta reduz custos, por isso as MCs são consideradas uma forte ferramenta de divulgação dos produtos produzidos localmente.


Para requerer uma marca e para maiores informações, acesse www.inpi.gov.br
A Soja Transgênica, os direitos de Propriedade Intelectual
e os direitos de saber e poder decidir

Maysa Blay
Mestrado Profissional em Propriedade Intelectual e Inovação.
Profs. Alexandre Vasconcellos e Celso Lage


Não há novidade na modificação de plantas promovida pela ação humana. Há muitos milênios, vimos selecionando, combinando e cruzando variedades vegetais, irradiando e provocando mutações intencionais e reservando as melhores sementes, para obtermos alimentos mais suculentos, doces, sem espinhos e com outras características desejáveis. Quase todos os produtos que descansam nas prateleiras do mercado, mundo afora, são o resultado destas escolhas de nossos antepassados.
Mais recentemente, desde a década de 90, o que se consome no mundo é progressivamente mais e mais composto por alimentos transgênicos. Diferentemente das técnicas tradicionais, em que plantas semelhantes eram cruzadas, as técnicas de transposição genética hoje o fazem entre organismos sem relação. Um determinado gene de uma espécie de sapo pode ser transferido para uma variedade de soja, a fim de promover nesta alguma característica desejável. Ou, uma sequência genética proveniente de um rato pode ser transposta para uma alface, e existem outras tantas combinações. Transgenia, neste contexto, visa, na maior parte dos casos, conferir ao vegetal resistência a ervas daninhas, insetos, fungos, e a intempéries. E mais, a planta transgênica pode trazer, em seu genótipo, além da resistência à praga, também a resistência ao produto químico que a combate, mas que a planta poupa.  Este é o caso da soja transgênica “RR” da Monsanto.
Diversas são pois as questões a se considerar, quando se trata do emprego da soja transgênica resistente ao glifosato - cujo nome comercial é Roudup Ready, “RR”. Inicialmente tratamos da questão da saúde, do meio ambiente e da promessa de solução para a fome, que estaria embutida na tecnologia transgênica. Depois, falamos do histórico da entrada na soja transgênica no Brasil. Em seguida, sobre os instrumentos de propriedade intelectual que se prestam a conferir proteção às invenções e variedades vegetais que delas decorrem. Por fim, confrontamos visões: a científica e política com alguns princípios ecológicos. 
A questão da saúde
Os que advogam que os transgênicos são seguros alegam que sua introdução é precedida de testes rigorosos. Afirmam também que, em termos de composição nutricional, os alimentos  geneticamente alterados não se modificam dos convencionais. Grupos de consumidores, por outro lado, em todo o mundo, temem que o consumo de alimentos que carregam genes de espécies radicalmente distintas daquela que (se pensa) estar ingerindo, podem trazer efeitos indesejáveis para a saúde humana.
O Decreto de Rotulagem de Transgênicos, Decreto Presidencial 4.680/03, exige que os alimentos que contenham componentes transgênicos apresentem, em seu rótulo, a letra “T” inserida num triângulo amarelo. O entendimento por detrás da exigência é a transparência que as empresas devem ter frente aos consumidores de seus produtos. No mercado brasileiro, porém, alguns produtos seguem a regra de rotulação. A exigência de rotulação no Brasil coloca o país à frente de países desenvolvidos, como os Estados Unidos, onde a alegação para não se usar o rótulo em produtos que, à primeira vista, não diferem dos convencionais, é que podem levantar “desnecessárias” suspeitas.  E, no Brasil, desde 2012, surgiram contestações na mesma linha americana: o PL 4148/2008, do deputado Luiz Carlos Heinze (PP/RS), propõe a eliminação da informação, no caso de não ser detectável a presença do OGMs (Organismos Geneticamente Modificados) no produto final!
A questão ambiental
Para muitos estudiosos, as questões ambientais envolvidas no emprego de transgênicos são de maior importância do que as que estão diretamente relacionadas à saúde humana. Os efeitos ambientais podem ser de longo prazo e os riscos muito grandes. Podem afetar as trocas genéticas entre plantas, a polinização, a cadeia alimentar e a preservação da biodiversidade. Superervas, insetos e fungos podem advir da devastação química. O combate às variantes resistentes, por sua vez, envolverá produtos químicos mais potentes e artifícios precários que podem, em curto prazo, mostrarem-se ineficazes.
Alimentos transgênicos podem ser a solução para o problema da fome no mundo?
Para diversos cientistas a engenharia genética pode atender à fome de centenas de milhões de pessoas malnutridas no mundo. Estas variedades de plantas podem, em seu entendimento, aumentar o rendimento das plantações e oferecer variedades resistentes a pragas e condições adversas, como secas, solos depauperados, solos com altos teores de salinidade e porcentagem de metais, como alumínio.
Para os críticos da engenharia genética, contudo, a solução para a fome está centrada na má distribuição de alimentos e riquezas no mundo. Alegam também que a tecnologia envolvida na transgenia não está voltada para os pequenos produtores – estes não ofereceriam às empresas de biotecnologia e ao seu investimento retorno suficiente. Acrescentam, além disto, que através do emprego de instrumentos de Propriedade Intelectual – patentes e as proteções a cultivares -  as empresas de biotecnologia terminam por limitar a reserva e a troca de sementes, criando sérios problemas financeiros para produtores. Alega-se ainda, neste contexto, que quem lucra com esta tecnologia são apenas as grandes empresas de biotecnologia.  
Um breve histórico dos transgênicos no Brasil
As sementes de soja transgênica entraram, no fim da década de 90, no Brasil de forma clandestina. Em 2003, sua plantação foi liberada e regulamentada, e o país tornou-se, rapidamente,  o segundo mercado para a Monsanto, perdendo apenas para os Estados Unidos.  Na esteira da soja RR, surgiram também variedades geneticamente modificadas de milho, arroz e de algodão. E à Monsanto, seguiram outras empresas – Syngenta, Bayer, DowAgro,  Aventis e outras, e no Brasil a Embrapa.
Desde a legalização dos transgênicos no país, um destaque na mídia é o pagamento de royalties por parte de fazendeiros, pela tecnologia patenteada. A necessária discussão sobre o emprego da agricultura transgênica e suas implicações na saúde e no meio ambiente, e o impacto econômico sobre produtores familiares estão ainda em segundo plano na grande imprensa. Quem conduz as discussões alternativas são organizações da sociedade civil e as redes sociais, mas sua pauta pouco afeta as decisões macro econômicas das instituições governamentais.
A Lei de Biossegurança (11.105/05), de 2005, criou regras sobre pesquisa em biotecnologia no país e compôs a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), responsável pela regulação do setor de biotecnologia. O órgão aprovou, desde então, cerca de 50 organismos geneticamente modificados, 35 dos quais são plantas. Neste período, também, 85% da soja produzida no país, passaram a ser variedades geneticamente modificadas.

O Ministério da Agricultura e a Embrapa apoiam a tecnologia transgênica, enquanto o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), conectado aos produtores familiares, empenha-se em campanhas para trazer a público os efeitos indesejáveis resultantes do emprego da tecnologia da transgenia e dos agrotóxicos em geral. É fato que desde que o Brasil adotou a soja transgênica em escala comercial e configurou-se como exportador de destaque da commodity, passou a desempenhar o triste papel do país campeão mundial no uso de agrotóxicos!
Em 26/10/2013, matéria sobre a CONAB:
Conab aponta aumento de 345% no uso de agrotóxicos nos últimos 12 anos
 “O aumento expressivo do uso de agrotóxicos é um dos principais resultados da liberação dos transgênicos no Brasil. Pesquisa apresentada pelo representante da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Asdrúbal de Carvalho Jacobina, durante o Seminário Internacional “10 anos de Transgênicos no Brasil”, aponta que o uso de agrotóxicos cresceu 345% na agricultura brasileira nos últimos 12 anos”.



Questões ligadas a direitos de Propriedade Intelectual
No âmbito da Propriedade Intelectual, a soja “RR”, como outras variedades vegetais transgênicas, está apta a obter proteção das criações intelectuais correspondentes dentro da LPI,  Lei da Propriedade Industrial nº 9279/96 e da LPC, Lei da Proteção de Cultivares nº 9456/97. Estas leis foram promulgadas dentro dos parâmetros do acordo TRIPS. E em TRIPS a proteção patentária deve se estender a todos os campos tecnológicos, incluindo aí os micro-organismos geneticamente modificados, e processos não biológicos e microbiológicos. Plantas e animais podem ser protegidos por legislação sui-generis. Desta forma, a LPI protege por patente os micro-organismos transgênicos e processos não biológicos, que não ocorrem na natureza, e variedades de plantas são protegidas através da LPC, um sistema sui-generis.
O estudo de Roberta Rodrigues, Celso Lage e Alexandre Vasconcellos, denominado Intellectual property rights related to the genetically modified glyphosate tolerant soybean in Brazil (2011) correlaciona as tecnologias protegidas pelas patentes pipeline com a soja “RR” protegidas pela LPC. O trabalho também demonstra que as patentes e a proteção dos cultivares relacionados estavam extintas, na ocasião do referido estudo, não cabendo as cobranças de royalties pela empresa detentora das patentes - Monsanto.
O trabalho ainda ressalta a importância da agregação da proteção conferida pela patente como informação para a proteção da planta, ou semente, como cultivar. No caso da soja “RR”, contrariamente, as variedades protegidas como cultivar não trazem a informação sobre a construção genética que lhes confere resistência ao glifosato, ou mesmo o número das patentes relativas à resistência ao defensivo agrícola.  Desta forma, afirmam os autores, não se pode conectar a invenção protegida por patente, à variedade protegida como cultivar - quem adquire as variedades de soja transgênica protegidas pela LPC,  o faz “no escuro”, sem ter como saber que tecnologia ela embute.  Os autores sugerem que a variedade vegetal protegida pela LPC deve conter, em seu resumo descritivo, o número da(s) patente(s) envolvidas, como base para atender à exigência de “distintividade” da Lei de Proteção aos Cultivares. 
Considerações Finais
O agrobusiness, predominantemente exportador e transgênico, renderá 100 bilhões de dólares por ano nos próximos 10 anos, projeta o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Não parece haver perspectivas, dentro do atual paradigma de governo, e em curto prazo, que apontem para uma saída do modelo exportador de commodities e a volta a uma era pré-biotecnológica.
Por outro lado, inúmeras fontes estimam que 70 a 80 % do que está na mesa do brasileiro vem da agricultura familiar. Dados mais precisos, produzidos pela pesquisadora Verena Glass, e publicadas pelo IPEA (GLASS, 2011), demonstram que, com exceção de trigo, soja e carne bovina, os outros produtos consumidos pelo brasileiro provem majoritariamente da agricultura familiar.  Um novo design do campo brasileiro – ainda que utópico - mais investimentos e pesquisas (como a promissora linha de pesquisa que a Embrapa[1] adota) para a produção agrícola familiar, pode elevar a qualidade e a quantidade dos alimentos consumidos pelos brasileiros em seu vasto território.
A propriedade intelectual, por sua vez, com suas ferramentas de proteção às invenções contidas na tecnologia da transgenia (LPI) – processo e micro-organismos, e nas variedades de plantas e sementes (pela LPC) são ferramentas interessantes para remunerar os esforços científicos, como no caso da tecnologia da soja “RR”. O trabalho de Roberta Rodrigues, Celso Lage e Alexandre Vasconcellos, neste sentido, é de grande valia na elucidação do que estava em jogo nas exigências de royalties pela Monsanto. Seu trabalho é essencial como apoio aos usuários destas tecnologias na sua contestação à cobrança indevida.
Resta-nos, enquanto sociedade, realizar um debate profundo sobre que rumos queremos seguir. A sociedade tem o direito de saber mais e optar. Para além de se proteger o agronegócio contra cobranças de royalties indevidas – o que é perfeitamente justo – resta-nos pensar, como produzir alimentos de forma segura e sustentável, defender o meio ambiente, nossas variedades vegetal única, a água e, acima de qualquer outra consideração, proteger a saúde do povo brasileiro. Deve-se também aproximar a proteção patentária e por cultivares do agricultor familiar, promovendo, no que lhe cabe, o aumento de seus conhecimentos e sua consequente apropriação. Estas proteções devem ser mais bem divulgadas a fim de se tornarem instrumentos eficazes de desenvolvimento do país. 
Referências Bibliográficas
Glass, V. IPEA. Agricultura – Agricultura em família. Disponível em <http://desafios.ipea.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2512:catid=28&Itemid=23> Acesso em out 2013
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Projeções do Agronegócio. Brasil 2012-13 a 2022-23. Projeções de Longo Prazo. Brasília. Jun. 2013. Acesso em 26 de out 2013. Disponível em <http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/projecoes%20-%20versao%20atualizada.pdf >. Acesso em out 2013.
Rodrigues R, Lage CLS, Vasconcellos AG. 2011. Intellectual property rights related to the genetically modified glyphosate tolerant soybeans in Brazil. Anais da Academia Brasileira de Ciências. Versão impressa ISSN 0001-3765. Vol. 83 no. 2 Rio de Janeiro, jun. 2011.










[1] A Embrapa tem desenvolvido uma linha de pesquisas com transgênicos, aparentemente, mais sofisticada, como o de ‘promotores específicos’ – cuja transgenia não se expressaria em frutos e raízes- por exemplo.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Ciclovia Laranjeiras e Cosme Velho - Projeto



Está quase aprovado na Prefeitura o Projeto Ciclovia Laranjeiras e Cosme Velho

Como será quando houver alunos de nove escolas, adultos e crianças  pedalando pelo bairro?! Como 75% das viagens no bairro são de moradores, isto é um convite a se pedalar!

A história começa em 2010, quando alunos do Liceu Franco Brasileiro, no seu curso de robótica, Franco Droid, desenvolveram um projeto de Ciclovia Intermitente - este funcionaria nos horários de entrada e saída da escola.  O interessante projeto foi, com o apoio da escola, apresentado à Prefeitura e à CET Rio, na época. Em 2011 outras pessoas do bairro começaram a falar sobre a necessidade de segurança para o ciclista no bairro.  No dia 7 de setembro daquele ano, fizeram a primeira pedalada.

  
Desde então, já houve mais seis  pedaladas, e o movimento aumentou. Houve três contagens de bicicletas de 12 horas, e vemos que o número de ciclistas cresce a cada dia. Somos aproximadamente 3000 ciclistas passando pelo bairro por dia: homens, mulheres, adolescentes, pais e mães levando filhos na garupa, entregadores e pessoas da terceira idade. Merecemos segurança!  Ou não?






Temos uma página do Facebook, com mais de 900 "curtidores", o
 "Ciclovia Já Laranjeiras Cosme Velho". 


Apóie! Curta! Conecte-se!

 


Apoios ao projeto:








sábado, 26 de janeiro de 2013


Livros Escolares....Descartáveis!


Não basta a montanha diária de lixo que produzimos, com copos, garrafas, latas, caixinhas longa vida de todo o tipo, papéis aos borbotões, embalagens mirabolantes e eletrônicos. Livros escolares também são descartáveis!

Modernos! Ou melhor, Moderna, Saraiva, Ática, Vozes e IBEP, Scipione...são algumas das editoras destes livros. Muitos possuem espirais e se parecem com revistas de atividades voltadas para o público infantil e juvenil.

Nas séries mais baixas, o aluno lê, preenche, escreve, colore, recorta, cola e desenha neles. E no fim do ano, descarta-o, joga-o fora...ou guarda-o, como recordação. Ninguém poderá herdá-lo. Entre os alunos mais avançados, a maior parte das escolas não adverte o aluno para que preserve seus livros. Ao fim dos anos, estes estão rasurados, desenhados, com “orelhas”... só lhes resta o lixo.

Acabaram-se os dias dos livros que passam de um irmão ou um amigo para o outro. No Brasil das escolas particulares, hoje, a cada ano, pais compram livros novos para seus filhos!

Lutando contra a corrente, um esforçado casal de amigos, pais de um aluno, dispõe-se todos os anos a apagar, diligentemente, os escritos dos livros herdados... mas isto só é possível se o usuário original não escreveu ou desenhou à caneta, não sublinhou, não colou, rabiscou, sujou, dobrou, cortou e pintou... e se os professores, claro, não deram vistos ou fizeram comentários à caneta... UFA!!!!

Não há nada de didático na compra anual dos livros escolares: a conta financeira é sempre muito alta (este ano, a conta dos livros do meu filho que vai para o 9º ano foi de  R$ 1800,00!!!). A conta ambiental  dos novos livros é mais alta ainda – além do lixo que se produz no descarte,  há toda uma boa "pegada ambiental" para cada livro – madeira, muita água e energia, tintas, plásticos, transporte, etc... que entram na produção de cada unidade. E, finalmente, o aluno deixa de incorporar a noção de que livros devem se respeitados, pois podem ser lidos por muitas outras pessoas. Esta é ainda a cultura em que estamos inseridos. Ou não?

Como solução, que exige esforços, existem as feiras de trocas de livros em algumas escolas. No fim do ano, os alunos doam os livros que estão em condições de re-uso, e retiram os que precisam.  Isto não é fácil: exige boa vontade e a criação desta cultura na escola. Depende também da boa vontade e compreensão das editoras que não devem mudar conteúdo, capa e a organização dos livros, apenas para que novos volumes sejam vendidos.  E mais, escolas devem estar atentas para evitar indicar estes livros e estas editoras que mudam as edições só o suficiente para que as antigas não sejam reutilizadas.

As escolas de governo, lembremos, re-utilizam os livros didáticos e os alunos devem conservá-los durante o ano para entregá-los à instituição no fim do ano.  Um ótimo exemplo para as escolas particulares, verdadeiramente MODERNO.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012


As 5 ideias mais equivocadas sobre os índios no Brasil desmistificadas pelo professor e historiador José Ribamar Bessa Freire:

1 - O índio não é “genérico” - Cada tribo tem seus costumes, crenças e culturas. São 200 etnias, que falam 188 línguas diferentes.
2 - As culturas indígenas não são atrasadas - Os povos indígenas produzem saberes, ciências,arte refinada, literatura, poesia, música, religião.
3 - As culturas indígenas não são congeladas - Pensar que todo índio deveria andar nu ou de tanga é um equívoco tão grande que quando vemos o contrário tem gente acha estranho.
4 - Os índios não fazem parte apenas do passado - Como mostramos aqui, eles estão aí defendendo sua cultura. Também é errado pensar que a cultura deles é contraria à evolução e a tudo que é moderno.
5 - O brasileiro é índio sim! - Muitos tem a ideia de que o povo brasileiro foi só formado por nações européias e africanas. Na verdade, a origem vem de todos, mas o brasileiro tende a se identificar com a origem européia que foi a principal colonizadora.
Quer ler o estudo na íntegra? Então clique aqui: http://bit.ly/EquivocosIndigenas

Por um Brasil consciente, inteligente e solidário

originalmente publicado em  Projeto Gota D'Água












As 5 ideias mais equivocadas sobre os índios no Brasil desmistificadas pelo professor e historiador José Ribamar Bessa Freire:

1 - O índio não é “genérico” - Cada tribo tem seus costumes, crenças e culturas. São 200 etnias, que falam 188 línguas diferentes.
2 - As culturas indígenas não são atrasadas - Os povos indígenas produzem saberes, ciências,arte refinada, literatura, poesia, música, religião.
3 - As culturas indígenas não são congeladas - Pensar que todo índio deveria andar nu ou de tanga é um equívoco tão grande que quando vemos o contrário tem gente acha estranho.
4 - Os índios não fazem parte apenas do passado - Como mostramos aqui, eles estão aí defendendo sua cultura. Também é errado pensar que a cultura deles é contraria à evolução e a tudo que é moderno.
5 - O brasileiro é índio sim! - Muitos tem a ideia de que o povo brasileiro foi só formado por nações européias e africanas. Na verdade, a origem vem de todos, mas o brasileiro tende a se identificar com a origem européia que foi a principal colonizadora.
Quer ler o estudo na íntegra? Então clique aqui: http://bit.ly/EquivocosIndigenas

Por um Brasil consciente, inteligente e solidário

originalmente publicado em Projeto Gota D'Água

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

BICICLETA: QUE TAL AGORA?

Hoje, quando lhes escrevo, é segunda feira, Dia do Mestre, e eis algumas das manchetes do jornal O Globo: “O trânsito está lento na via da Avenida Cesário de Melo, altura da Rua Augusto de Vasconcelos, sentido Bangu”, ou “Lentidão no Corte do Cantagalo, em direção a Copacabana” ou mais, “Trânsito lento nas Avenida Borges de Medeiros e na Rua Mário Ribeiro, sentido Gávea”...Socorro! Onde vamos parar? Sem desânimo amigo, paremos para refletir sobre o que cada um de nós pode fazer para melhorar a mobilidade urbana e a qualidade da nossa vida!

Podemos usar meios de transporte público, e pelo nosso uso e nível crítico, podemos exigir que melhorem (logo!), que se tornem mais respeitosos e atraentes! Podemos também criar planos de caronas com vizinhos, colegas de trabalho ou de faculdade, ou com pais dos companheiros de escola dos nossos filhos – já ouviu falar do Caronetas...
http://www.caronetas.com.br/ ? Pois veja o que acha. Podemos ainda restringir voluntariamente o uso do carro para determinados destinos, ou horários. E, o melhor de tudo: podemos usar a bicicleta para muito mais que simplesmente lazer!

Bicicletas não poluem, ocupam pouco espaço e exercitam aerobicamente seus usuários, diminuindo idas a médicos. Além de serem “desestressantes”, são econômicas ao extremo e... Viáveis como meio de transporte urbano! Creia-me!

Pois você já se imaginou pedalando para o trabalho, para a faculdade, ou para o consultório do seu dentista? Pois, em muitos bairros isto já é possível, e em outros, estamos chegando lá. Estamos caminhando para a construção de mais ciclo-rotas e de maior conscientização dos cariocas, ciclistas e motoristas, em relação às boas regras de convivência.



Há inúmeros grupos organizados neste sentido, e você pode participar deles. Há os que transformam a união de ciclistas numa divertida manifestação por visibilidade, como a Bicicletada Massa Crítica; o charmoso e ‘chic’ passeio musical do Passeio Completo; grupos de ciclistas que clamam por ciclo-faixas, como o Ciclovia Já Laranjeiras Cosme Velho; há ainda organizações não governamentais de fundamental apoio, como o Transporte Ativo (site e blog); há ciclistas que ajudam outros a pedalar – como os Bike Anjos; e existem até pessoas que unem o plantio de árvores com bicicletas, com a Bicicletada Jardinária.

Quanto à bicicleta de escolha, isto é com você. Há desde a velha bicicleta guardada...(ponha-a para rodar!), até um número crescente de modelos dobráveis interessantes. Há ainda os tipos vintage , lindas, ou as clássicas, nacionais e importadas. Existem também as ainda polêmicas bicicletas elétricas – boas para se fugir do trânsito e não contribuir com ele, mas que não proporcionam exercício ao dono. Pois, não custa tentar mudar. Que tal um Bike Anjo para ajudar você no início com o trajeto e a postura no trânsito? O site é http://bikeanjo.com.br/ . A roupa pode ser a que você quiser e se sentir bem. E o absolutamente melhor de tudo...Para a bicicleta não tem idade, nem hora. Que tal agora?